
Homero Salles, amigo de Gugu Liberato (1959-2019) e que comandou a maioria dos programas comandados pelo apresentador, não gostou da tentativa do SBT de recriar o Viva a Noite, sucesso nos anos 1980 e 1990, quando tinha Liberato à frente da atração.
O programa voltou oficialmente no último sábado (28). No entanto, contou com uma pré-estreia no fim de 2025, comandada por Luis Ricardo, que ganhou a atração para apresentar na televisão da Anhanguera.
No entanto, Salles não aprovou a volta do programa e teceu críticas ferrenhas a ele.
“Só acertaram no nome e erraram no resto. O Viva a Noite original dos anos 80 derivou de uma competição de danças trazida pela produtora argentina Nelly Raimond, que vinha ao Brasil somente uma vez por mês. Cabia a mim e ao Gugu reescrever tudo, criar quadros e adaptar o formato aos recursos da época, ou melhor, à ausência deles: zero verba e muita criatividade, improviso e televisão ao vivo”, iniciou o ex-chefe do SBT em seu LinkedIn.
“E aí começam os erros desta nova tentativa de recriar um ícone do SBT. O principal: fizeram o programa gravado. Viva a Noite é, por natureza, um programa ao vivo. Não funciona gravado. Seu sucesso sempre esteve no improviso, na espontaneidade e na interação com o auditório”, continuou.
O diretor continuou afirmando que o cenário da atração agora comandada por Luis Ricardo é grande demais. Além de ter notado uma “sensação” de vazio, apontou que houve uma falta de posicionamento de câmera.

“O cenário é grande demais para um programa que sempre foi intimista. O palco amplia mais ainda a sensação de vazio, agravada por um posicionamento da câmera central equivocado. Eliminaram a figura de telemoças como Marriet, Rose, Walkiria, Silvinha, que eram parte do imaginário do programa, e as substituíram por um balé genérico, que atua em todos os programas da casa, descaracterizando o formato”, criticou.
Homero também apontou que houve falhas na operação, como microfones mudos e o comandante da atração em segundo plano.
“No som, a operação teve falhas: BG alto, apresentador em segundo plano e microfones dos participantes praticamente mudos. E, no caso de Nicki French, exposta sem suporte vocal, o resultado foi constrangedor”, pontuou.

Por fim, ele enfatizou que a plateia virou figurante na atração, e que o programa, em sua ideia original, era um “estado de espírito”.
“A plateia, que era protagonista, virou figurante. Entraram tokens frios no lugar de reação real. Luiz Ricardo pouco interagiu com o auditório e com o time das mulheres, perdendo oportunidades claras de improviso. O problema central é simples: não entenderam que o Viva a Noite não é um conjunto de quadros, é um estado de espírito. É fluxo, caos organizado, risco e plateia viva”, finalizou.
O iG entrou em contato com o SBT para um posicionamento sobre as críticas do ex-diretor do canal ao novo Viva a Noite. Assim que obtivermos respostas, a nota será atualizada.
Quem é Homero Salles
Homero viveu intensamente a guerra por audiência nos domingos. O profissional marcou a história da TV no Brasil em parceria com seu grande amigo, Gugu Liberato.
Em 1977, começou a dirigir o Programa Silvio Santos e depois assumiu a direção dos programas Domingo no Parque, Viva e Noite e Domingo Legal. Viveu uma verdadeira revolução na TV nos anos 1990, quando Gugu Liberato foi líder em audiência de 1998 a 2003.
Em 2009, migrou com Gugu Liberato para a Record, onde comandou por lá o Programa do Gugu, assumindo a direção-geral. Com a mudança da relação entre Liberato e a emissora da Barra Funda, Salles passou a ocupar o cargo de diretor-geral e de conteúdo da GGP Produções, na época produtora do apresentador.