Inclusão na pista: Drift Rio inova com espaço sensorial inédito para famílias atípicas no Parque Olímpico

Coordenada pela neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, a estrutura atendeu cerca de 300 pessoas com suporte especializado, abafadores e área de regulação emocional.

BARRA DA TIJUCA / RIO DE JANEIRO – O ronco dos motores e a adrenalina do automobilismo ganharam um aliado de peso no último final de semana (16 e 17 de maio): a empatia. O Drift Rio 4, realizado no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, fez história ao implantar um espaço inclusivo estruturado para receber pessoas com deficiência (PcDs) e famílias atípicas. A iniciativa social, uma das mais celebradas desta edição, atendeu cerca de 300 pessoas.

O ambiente foi totalmente planejado para garantir que crianças neurodivergentes e seus familiares pudessem curtir a intensa programação do campeonato com total conforto e segurança.

Estrutura de Acolhimento Sensorial

A coordenação e idealização do projeto ficaram por conta da neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em autismo e CEO da Clínicas Potência. Sabendo que grandes eventos públicos geram superestimulação sensorial (excesso de barulho, luzes e movimento), o espaço foi equipado com ferramentas estratégicas:

  • Abafadores de ouvido: Fundamentais para isolar o som alto dos motores;
  • Brinquedos e materiais sensoriais: Ferramentas para estímulo e conforto;
  • Área de regulação emocional: Um refúgio tranquilo para momentos de crise ou estresse;
  • Equipe multidisciplinar: Profissionais capacitados para atender diferentes necessidades comportamentais.

“Muitas vezes, pais e mães deixam de frequentar espaços de lazer por falta de suporte adequado para seus filhos. Ter um ambiente preparado representa pertencimento, respeito e acesso real à convivência social”, destaca Silvia Kelly Bosi.

A especialista pontuou ainda que, embora o Rio de Janeiro seja palco de grandes eventos, o mercado de entretenimento ainda carece de estruturas inclusivas desse porte.

Apoio Institucional e Atrações

A ação foi elogiada e recebeu a visita de autoridades e personalidades, como a piloto de drift Nayla Cabral, o presidente da Câmara Municipal do Rio, Carlo Caiado, e o subprefeito da Barra da Tijuca, Leandro Marques. Eles acompanharam de perto os atendimentos e reforçaram a necessidade de expandir a acessibilidade no esporte.

Além das disputas na pista e da estreia do Campeonato Carioca de Drift, o evento contou com exposições de carros, caronas radicais, shows, praça de alimentação e encontro de motoclubes. Devido ao enorme sucesso e feedback positivo dos usuários, a expectativa é que o espaço inclusivo se torne um padrão obrigatório nos grandes eventos do calendário carioca.


Sobre a Especialista

  • Nome: Silvia Kelly Bosi
  • Atuação: Cientista e neuropsicopedagoga com especializações em Autismo, Desenvolvimento Infantil e Neurociências. É mestranda em Atenção Precoce pela Universidad del Atlántico (Espanha) e Perita Judicial pela PUC-Rio.

Por: Júlia Bozzetto

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