Evento marcou a exibição do clássico “Iracema, Uma Transa Amazônica” e reuniu nomes como Eryk Rocha, Jandira Feghali e Dani Balbi para debater o legado do cineasta e a soberania do audiovisual brasileiro.
RIO DE JANEIRO – O cenário para a comemoração dos 86 anos de Orlando Senna não poderia ter sido outro: uma sala de cinema. No coração do Rio de Janeiro, o cineasta baiano foi ovacionado por uma plateia composta por familiares, amigos, ex-alunos e admiradores durante a mostra “Orlando Senna – Cinema, Brasil e América Latina”, em cartaz na CAIXA Cultural até o dia 10 de maio.
Senna, nascido em Afrânio Peixoto (Chapada Diamantina) em 1940, é uma figura central da cultura latino-americana. Com uma trajetória que atravessa o jornalismo, a literatura e a gestão pública — tendo sido Secretário do Audiovisual no Ministério da Cultura e um dos idealizadores do programa DOCTV —, ele celebrou seu aniversário em meio à exibição de um de seus trabalhos mais icônicos: Iracema, Uma Transa Amazônica (1974).
Diálogo entre gerações
Entre os presentes estava o cineasta Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha. Eryk destacou a “atualidade brutal” de Iracema, ressaltando como a linguagem do filme, que mescla atores profissionais e amadores, resiste ao tempo.
“É um momento único redescobrir Iracema. O filme articula todas as camadas: a montagem, a sonoridade e uma estrutura orquestrada que reflete a cultura popular”, afirmou Eryk, que ainda traçou um paralelo entre a denúncia ambiental do filme e os desafios geopolíticos atuais, como a exploração de terras raras no Brasil.
Cultura como projeto nacional
A deputada estadual Dani Balbi, primeira parlamentar trans da história da ALERJ e doutora em Ciência da Literatura, também prestou sua homenagem. Para a parlamentar, o legado de Senna é fundamental para pensar um projeto nacional de cultura. “Hoje é possível fazer uma releitura de Iracema com outros sujeitos, como a mulher negra e os povos originários. Preservar a história de Orlando é preservar a memória do cinema latino-americano”, declarou.
Representando o campo institucional, o diretor da ANCINE, Paulo Alcoforado, relembrou sua trajetória como aluno de Senna no Instituto Dragão do Mar. Alcoforado enfatizou a visão humanista do mestre: “O cinema de Orlando sempre dialogou com a alteridade, retratando territórios e realidades brasileiras muitas vezes invisibilizadas”.
O desafio do Streaming
A deputada federal Jandira Feghali, relatora de projetos cruciais para o setor, trouxe ao debate a urgência da regulação do VOD (Video on Demand). Segundo a parlamentar, o processo, que atualmente aguarda tramitação no Senado, é vital para garantir a soberania cultural brasileira diante das gigantes globais de streaming.
“Cinema é poder político. Precisamos de uma mobilização unificada do setor para que o Brasil não seja apenas um consumidor de conteúdo estrangeiro, mas um protagonista de sua própria produção”, pontuou Jandira.
SERVIÇO
Mostra ORLANDO SENNA – CINEMA, BRASIL E AMÉRICA LATINA
- Local: CAIXA Cultural RJ – Unidade Passeio (Rua do Passeio, 38, Centro)
- Data: Até 10 de maio de 2026
- Entrada: Gratuita (retirada de ingressos 30 min antes na bilheteria)
- Programação Completa: www.caixacultural.gov.br
Destaques da Programação (Próximos dias):
- 01/05 (Sexta): 13h45 – Ópera do Malandro | 16h00 – Iracema, Uma Transa Amazônica
- 02/05 (Sábado): 15h00 – Anjos de Ipanema (Bate-papo com Luiz Carlos Lacerda e Manuela Dias)
- 09/05 (Sábado): 15h00 – Coronel Delmiro Gouveia (Bate-papo com Alice de Andrade e Hernani Heffner)
Fotos: Evaldo Macedo (@evaldomacedo)
Realização: Ginja Filmes & Produções