Tecnologia e Cidadania: Inteligência Artificial pode ampliar acesso à Justiça e acelerar processos no Brasil

Eliminação de tarefas burocráticas e tradução do ‘juridiquês’ para a população estão entre as principais oportunidades apontadas pelo especialista Lacier Dias.

RIO DE JANEIRO – A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se consolidar como uma ferramenta estratégica na modernização do sistema de Justiça brasileiro. De tribunais que utilizam algoritmos para organizar acervos a escritórios que analisam volumosas bases de dados em segundos, a tecnologia já transforma a rotina do Judiciário e da advocacia.

Para o professor, especialista em tecnologia e CEO da B4Data, Lacier Dias, o verdadeiro potencial da IA no setor jurídico vai muito além da produtividade interna: trata-se de um caminho concreto para democratizar e aproximar a população dos seus direitos.

Otimização do Tempo e Fim das Tarefas Repetitivas

De acordo com Lacier, o objetivo primordial da IA no meio jurídico não é substituir juízes, advogados ou servidores públicos, mas sim libertá-los de rotinas mecânicas que atrasam o andamento dos processos.

“Hoje, boa parte do trabalho jurídico ainda envolve análise de documentos, pesquisas em legislação e jurisprudência, organização de informações e elaboração de peças com estruturas semelhantes. A Inteligência Artificial consegue acelerar essas tarefas, permitindo que os profissionais concentrem seus esforços naquilo que exige interpretação, estratégia e tomada de decisão”, destaca o especialista.

Na prática diária, tribunais e escritórios de advocacia já colhem resultados com a aplicação de algoritmos em:

  • 🗂️ Classificação Processual: Identificação ágil de demandas repetitivas;
  • 🔍 Pesquisa Avançada: Localização de precedentes e jurisprudências em minutos;
  • 📑 Gestão Documental: Revisão de contratos e apoio na elaboração de minutas jurídicas.

Aproximação do Cidadão e Redução de Barreiras

A próxima grande virada de chave no uso da tecnologia, segundo Lacier Dias, será a simplificação do acesso do cidadão comum às estruturas do Judiciário.

Plataformas inteligentes têm o potencial de traduzir a linguagem jurídica (o ‘juridiquês’) para uma comunicação acessível, orientar sobre documentos necessários antes do atendimento por defensores públicos e atuar em mediações prévias de menor complexidade.

“A tecnologia pode reduzir barreiras que hoje afastam muitas pessoas do Judiciário. Quando o cidadão compreende seus direitos e consegue se preparar melhor antes de procurar atendimento, todo o sistema ganha eficiência”, avalia Lacier.

Ética, Limites e Liderança do Brasil

Apesar do entusiasmo com as inovações, o especialista reforça que o avanço tecnológico exige governança rigorosa, transparência, proteção de dados e supervisão humana permanente. A IA deve atuar exclusivamente como assistente decisório, mantendo a responsabilidade final das sentenças e peças com os profissionais da área.

Lacier conclui destacando o pioneirismo nacional no setor:

“O Judiciário brasileiro já é altamente digitalizado e produz um enorme volume de dados. Se conseguirmos integrar essa infraestrutura com ferramentas inteligentes, respeitando os limites legais e éticos, será possível reduzir a morosidade processual e oferecer um serviço mais eficiente. A IA não representa uma ameaça ao Direito; representa uma oportunidade de torná-lo mais acessível, ágil e efetivo.”

Por: Redação Costa Verde TV

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